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A moda do “Engagement”

Durante os últimos anos, o “Engagement” tem ocupado parte das estratégias de gestão de Recursos Humanos. Mas cumpre perguntar: o Engagement (ora traduzido como  Envolvimento) dos Colaboradores continua a ser uma métrica por si? Aliás, será que alguma vez foi?!

Apesar dos enormes investimentos feitos pelas organizações para “impulsionar” o Envolvimento dos Colaboradores, as melhores avaliações deste conceito não mostraram muitas melhorias. Nos últimos 18 anos – conforme monitorizado pela Gallup – o nível de Engagement aumentou de 26% para 34%, numa média de menos de meio ponto por ano.

Assim assistimos ao aumentar do ceticismo quanto à utilidade de medir o Envolvimento dos Colaboradores, sem qualquer outra métrica que o acompanhe na interpretação de causa efeito.

Até porque na verdade, o que se consegue medir é tão e apenas a perceção dos Colaboradores, mas não conseguimos claramente perceber com exatidão a causalidade com o desempenho profissional.

Está na altura das organizações repensarem se o acompanhamento da métrica do Engagement é uma forma eficaz de melhorar os resultados do negócio. Os novos dados sugerem que existe um fator e um indicador de sucesso bem mais pertinente! Chama-se o “trabalho excelente” (em inglês Great Work).

As organizações devem concentrar-se em fomentar e realizar um “Great Work”, em detrimento de se manterem focadas em monitorizar e trabalhar para um aumento do Engagement por si só.

Ora vejamos, o “Great Work” conduz diretamente a melhores resultados de negócio e, por ser mais tangível, permite adequar e trabalhar estratégias de melhoria.

Claro que a mentalidade de um “Great Work” obriga as organizações a darem uma maior atenção ao Colaborador individual. A estarem atentos aos seus comportamentos e adequarem estratégias para que, cada um, consiga em plenitude dar o melhor de si.

Mas o que é o “Great Work neste sentido que aqui lhe damos?

 

  • Fazer a pergunta certa – Um  “Great Work” começa quando as pessoas perguntam como podem fazer a diferença concentrando-se no propósito do seu trabalho (quer sejam clientes, membros da equipa, líderes, etc.). Desenvolvem um mindset focado nas melhorias alcançáveis, interrogam-se como é que uma atividade, um processo ou um produto pode ser mais fácil, mais rápido, mais seguro; melhor!

 

  • Observar e Idealizar – Os Colaboradores que seguem um “Great Work” observam e examinam a partir de uma variedade de perspetivas para encontrarem novas possibilidades. Olham para o que “É” e idealizam o que/como poderia ser melhorado. Avaliam o processo, o produto, os pormenores e os padrões.

 

  • O círculo exterior – O “Great Work” melhora quando os envolvidos interagem com outros Colaboradores externos ao processo/atividade e convidam seus pares a juntarem-se expandindo o seu círculo relacional. Assim, recolhem informações e perceções e, com os diferentes pontos de vista, potenciam novas e melhores ideias.

 

  • Erro é progresso – Os Colaboradores com o mindset de “Great Work” concentram-se a fundo nos resultados positivos. Eles persistem até obterem tais resultados! Se o seu trabalho não for de tal forma valorizado, investigam, aprendem e tentam novamente. O fracasso é visto como experiência e como um progresso. Coexistem a tenacidade e a resiliência para continuarem até reconhecerem que fizeram algo de fantástico.

 

Estes comportamentos e práticas subjacentes a um “Great Work” são mais específicos e fáceis de definir, medir e desenvolver do que o Engagementper si”. São também mais fiáveis e preditivos do sucesso empresarial do que o mero Engagement, tal como neste momento é medido. Implica também o desenvolvimento de uma cultura corporativa que apoia e desenvolve as competências pessoais do Colaborador alinhadas com o objetivo do negócio.

Quando as organizações praticam “Great Work”, assumem terem de adotar, muitas vezes, uma abordagem individualmente orientada. Cada Colaborador tem as suas próprias necessidades, pontos fortes e fracos, desenvolvendo comportamentos de “Great Work” de forma diferente!

E assim, como consequência de um trabalho no qual encontram propósito, teremos sim, Colaboradores que, mais do que estarem envolvidos, dão e são o melhor de si!